O FUTEBOL, OS CAMISAS NEGRAS E A ESTRELA SOLITÁRIA
- Erivan Santana
- 23 de jul.
- 2 min de leitura

O futebol no Brasil é mais do que um esporte, é um fenômeno social e histórico, presente na maioria das famílias brasileiras e praticamente em todo o território nacional.
O esporte, tal qual o conhecemos, surgiu na Inglaterra, no século XIX, embora haja registros históricos dessa prática esportiva muito semelhante na China antiga, na Grécia e em Roma, como também nas Américas pré-colombianas.
Trazido ao Brasil, em 1894, por Charles Miller – um jovem cujo pai era escocês e a mãe brasileira – que tinha ido estudar na Inglaterra, o futebol encontrou aqui as condições necessárias para o seu crescimento, beneficiado por vasto território, o clima tropical e um povo muito alegre, vibrante e espontâneo, além do baixo custo para a sua prática esportiva.
Entretanto, no seu início, o futebol era praticado pelas elites brancas e europeias - foi necessário muita luta e resistência para que o futebol se tornasse popular.
Nesse sentido, convém lembrar da lendária história dos “Camisas Negras”, do Clube de Futebol e Regatas Vasco da Gama, que na composição do seu time, incluía negros, mulatos e operários – algo inédito naquela época.
Em 1923, o time venceu o campeonato contra clubes da elite carioca, como Flamengo, Fluminense e Botafogo, o que gerou grande incômodo. Após o título, a Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT), tentou impor exigências sociais, como comprovação de emprego, como forma de excluir os jogadores vascaínos.
O Vasco respondeu com uma carta, que ficou conhecida como “Resposta Histórica”, recusando-se a excluir seus atletas, ficando assim, fora da Liga, mas mantendo a sua posição, fato que foi um marco na luta e resistência pela popularização do esporte em todo o país.
Nos seus primórdios, os jogadores jogavam por amor ao esporte e identificação pelo clube onde foram revelados, casos de nomes como Leônidas da Silva, Mané Garrincha e o próprio Pelé – ou para falarmos de exemplos na história mais recente, podemos citar Zico, pelo Flamengo e Roberto Dinamite (in memoriam) pelo Vasco da Gama.
Hoje, o futebol se tornou um comércio bilionário. O saudoso João Saldanha, em um comentário durante uma transmissão de um jogo da seleção brasileira ainda nos anos 80, esbravejou: “os jogadores brasileiros estão jogando pensando nos contratos em dólar e em euro, não em jogar pelo time”.
Meu caro Mané Garrincha, lamento lhe dizer, mas a era da inocência, do romantismo e do futebol arte ficou para trás, e você continua sendo o que sempre foi, uma honrada estrela solitária.
Erivan Santana
23 jul 2025
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