PÔR DO SOL NA BARRA
- Erivan Santana

- há 11 minutos
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Era verão, e eu estava em Salvador, visitando parentes meus que moram lá e passeando pela cidade. Saímos no fim de tarde para ver o pôr do sol na praia do Porto da Barra, uma tradição entre os moradores e para os visitantes e turistas.
Um guia turístico indígena que estava conosco sugeriu irmos à Igreja de S. Bento, já que ele tinha serviços prestados ao padre local, como manutenção do jardim, retirada de abelhas invasoras, etc., e poderia conseguir acesso a um ponto a que poucos iam, tendo a visão não somente do pôr do sol, como também de todo o panorama da praia, ou seja, a vista perfeita.
Quando estávamos no espaço a que o índio se referiu, os sinos da igreja começaram a tocar, às 17h45, chamando os fiéis para a missa às 18h, sendo que neste horário eles voltariam a tocar, desta vez, com a chamada definitiva.
Pode ser algo banal e corriqueiro este fato, mas ver e ouvir o badalar dos sinos de tão perto, reacendeu em mim memórias de uma tradição secular, mostrando o contraste entre o antigo e o moderno, tão presentes na primeira capital do Brasil.
O índio nos relatou que a Igreja Católica recebe uma porcentagem de cada compra e venda de imóveis realizada naquela área nobre da Barra, uma lei ainda do século XVIII, visto que a instituição é a antiga proprietária destes terrenos – e terminou arrematando com uma certa ironia: – lembrando que naqueles tempos, o povo ainda pagava a indulgência para garantir um lugar no céu!
Aproximando a hora do pôr do sol, vamos todos então ao local onde avistávamos toda a área da praia do Porto da Barra e o fenômeno de fim de tarde tão esperado.
Eu nunca tinha visto um pôr do sol tão lindo e tão deslumbrante, me chamou a atenção a velocidade com que o sol, já de cor alaranjada, ia desaparecendo na linha do horizonte, com as pessoas na praia aplaudindo aquele espetáculo da natureza.
Que país lindo, exuberante e rico é o Brasil, não foi o que disse Pero Vaz de Caminha, na carta ao Rei?
Erivan Augusto Santana
Verão/2025



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